Bem-vindos a poesia...

Poemas urbanos que emergem a partir de situações limites do cotidiano das Megacidades. Uma forma digna de apresentar uma visão, através da poesia de Sérgio Gerônimo e Mozart Carvalho, principalmente, do cenário carioca contemporâneo.



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6/25/2011

Lanterna

o colarinho do chopp escorria
em  franjas e os laranjas conversando
nem percebiam a observação incrédula
das palavras esparramadas no mármore
trincado da popular mesa democrática
eu que sou da classe de 52
não me enquadro nessa feira
certamente cometo outros delitos
nós todos em formato 3 por 4
absorvemos costumes ditos sociais
observo o horizonte agora 360 graus
da estação sobre-elevada de frente
às rotas rôtas (sic) de rostos e rastros
penso que sou um astro
celebridade momoinstantânea
afirmo que meu governo eu governo
um pré-texto pós-sádico
pois me martirizo em outdoors de plantão
sequestro almas seduzo expansões
de vazios...
mas sou cidadão
às vezes ligo a sirene e atravanco
trafego em greve transito assim mesmo
na faixa dupla e abuso
e aviso
quem for doente que me siga
você sabe com quem está falando?
minha casa meu lar alvo na mira
gira-gira lanterna hipnótica
em noite chorosa e sem radar
sem foco
sufoco
três ais e nenhuma ave-maria
Sérgio Gerônimo

Seis horas e alguns minutos

passam das seis - a chuva cai
Corujão da poesia - Fina Estampa Ipanema.
o espelho embaça na poeira e fumaça
os olhos acesos
iluminam a crua noite vadia
o sol já se afoga no horizonte
repousa flamejante
nas lamparinas frias das esquinas
homens rastejam nas paredes úmidas
o sinal verde renuncia a esperança
a tensão viscosa da pista molhada
os carros vão em vão
e o lugar esvazia-se de ilusão
a rua turva
o homem despe-se
a moeda rola
e o mundo cai
despenca no sombrio
e obscuro deus
caos kaos caos
Mozart