Bem-vindos a poesia...

Poemas urbanos que emergem a partir de situações limites do cotidiano das Megacidades. Uma forma digna de apresentar uma visão, através da poesia de Sérgio Gerônimo e Mozart Carvalho, principalmente, do cenário carioca contemporâneo.



URBANOSEMCAUSA















12/27/2012

Guarani-Kaiowá.

o conflito anunciado.
a desmoralização marcada.
o desconhecimento do povo brasileiro sobre a sua própria gente.
que gente?
estamos envolvidos com os nossos umbigos.
protegidos, adormecidos em nossas ocas urbanas.
em ocas motorizadas, últimos modelos nas concessionárias
com o ipi zero. dentro de nossas ocashopping consumindo.
consumindo. consumindo, e consumido
sempre em nossas vidas.
contudo devastando, derrubando, matando o guarani-kaiowá.
eta!
essa terra tinha palmeiras,
onde ainda canta sabiás.
sabias?
...
hoje vivo aqui,
e o silêncio
matando índio de lá.

12/09/2011

SERURBANO

Sou
o poeta do betume
das ruas modernas
dos prédios
arranha-céus
meus olhos são
semáforos
verde e vermelho
quando estão em atenção
avanço para felicidade...

10/09/2011

URBANOSemCAUSA SAÚDA A POESIA

Urbanosemcausa brinda com Lucilia Dowslley. Amigos saúdam a Paz e a Liberdade de Ser, no MAC - Museu de Arte Contemporânea , Niterói. Uma festa linda. Uma celebração ao ser Criança. Uma tarde de emoções e poesia.

6/30/2011

C.a.R.d.Í.a.C.o.S

permitam-se um grito
a mente criativa
não se exaure
multidões atravessam os passos
alargam-se as identidades
escancaram as cidades
para que pousem tranquilas
no hangar do coração
o fluxo dos carros
nas venosas pistas
entopem, emparedam
obstruem o peito
a dor engarrafada alucina
conectores estressados
apagam-se
os corpos adormecem
o semáforo da vida incandesce
e o grito
continua... continua... continua...

6/26/2011

A chave

o apito vespertino
seis horas
a tranca noturna
no fundo da cela – sentinelas
armas apontadas para o peito
o desejo febril do futuro
limitado nos quatro cantos
a cela sela
o perfume ácido do suor
esfria-se no banho de gato
o odor manifesta-se
descamisando músculos
o forte cheiro de urina
embriaga a atmosfera
asfixiante revela-se
 a última gota da cancela
no estremecer das chaves
em mãos cativas do sistema
cobertores desdobram-se
silenciosamente em dedos engatilhados
a cama dura sustentam nervos e ossos
tesos, retesos, firmes
em construções meliantes
o último sinal
a grade cinza
espia o apagar das luzes
o baixar de calças sinuoso
 o flato – fato
e o homem adormece
sem nada fazer,
sem nada dizer
só espera
a chave do amanhã
novo cárcere
Mozart

6/25/2011

Apresentação do Urbanosemcausa no Corujão da Poesia Junho/2011

Lanterna

o colarinho do chopp escorria
em  franjas e os laranjas conversando
nem percebiam a observação incrédula
das palavras esparramadas no mármore
trincado da popular mesa democrática
eu que sou da classe de 52
não me enquadro nessa feira
certamente cometo outros delitos
nós todos em formato 3 por 4
absorvemos costumes ditos sociais
observo o horizonte agora 360 graus
da estação sobre-elevada de frente
às rotas rôtas (sic) de rostos e rastros
penso que sou um astro
celebridade momoinstantânea
afirmo que meu governo eu governo
um pré-texto pós-sádico
pois me martirizo em outdoors de plantão
sequestro almas seduzo expansões
de vazios...
mas sou cidadão
às vezes ligo a sirene e atravanco
trafego em greve transito assim mesmo
na faixa dupla e abuso
e aviso
quem for doente que me siga
você sabe com quem está falando?
minha casa meu lar alvo na mira
gira-gira lanterna hipnótica
em noite chorosa e sem radar
sem foco
sufoco
três ais e nenhuma ave-maria
Sérgio Gerônimo